Dashboards executivos
Painel que sustenta decisão, não painel que ninguém abre.
Quase toda empresa já teve um painel abandonado. Ele foi construído com entusiasmo, apresentado numa reunião, elogiado, e parou de ser aberto em três semanas. O motivo raramente é a ferramenta.
Painel morre por dois motivos. Ou ele mostra tudo, e quem abre não sabe onde olhar primeiro. Ou ele mostra o número certo com atraso, e quem precisa decidir já pediu a informação por outro caminho antes de o painel atualizar.
Recorte
Poucos números, escolhidos a dedo.
A pergunta que fazemos antes de desenhar qualquer tela não é quais indicadores existem, e sim quais decisões essa pessoa toma. Indicador que não muda nenhuma decisão é ruído competindo por atenção com o que importa.
Isso costuma reduzir bastante o escopo inicial. Um painel de diretoria com seis números que respondem às seis perguntas recorrentes funciona melhor do que um com quarenta que responde a todas menos às que são feitas de verdade.
O recorte também muda com quem olha. O indicador que serve ao gerente de planta não é o que serve ao board, mesmo quando nasce do mesmo dado. Tratar os dois como o mesmo público é o que produz painel genérico.
Atualização
Sem ninguém alimentando à mão.
Painel que depende de alguém colar dado toda segunda-feira tem prazo de validade. Ele sobrevive enquanto essa pessoa estiver disponível e interessada, e some quando ela entra de férias.
A atualização vem da integração de dados, com a mesma rastreabilidade de carga. Quando o número no painel é questionado, e ele vai ser, dá para mostrar de onde veio em vez de refazer a conta.
Do número à ação
O painel avisa, você não precisa vigiar.
Painel pressupõe que alguém vai abrir. Na prática, quanto mais crítico o indicador, menos aceitável é depender disso. O que interessa raramente é o valor de agora, e sim o momento em que ele sai da faixa esperada.
Por isso o painel costuma vir acompanhado de envio programado e notificação. Quem acompanha de perto abre o painel; quem só precisa saber quando algo muda recebe o aviso e abre o painel para entender o porquê.
Definir a faixa é parte do trabalho, e é onde a conversa fica interessante. Limite apertado demais gera alerta que todo mundo aprende a ignorar, e alerta ignorado é pior que alerta nenhum, porque dá a sensação de que existe vigilância. Limite frouxo demais avisa quando já não há o que fazer.
Esse ajuste não sai certo na primeira tentativa. Ele se calibra com o uso, e o indicador que sobrevive a três meses de operação normalmente não é o mesmo que foi desenhado no início.
Próximo passo
Traga a pergunta que se repete toda semana.
Aquela que alguém sempre precisa responder à mão. Ela costuma ser o melhor ponto de partida para desenhar o primeiro painel.
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